Dopinha

Carta do Comitê Carlos de Ré da Memória, Verdade e Justiça pela Construção de um Centro de Memória Viva da Resistência Latino-Americana na antiga sede do Dopinha

                                                                                                                  Foto: Félix Zucco

     Confrontados com a premente necessidade de ampliar, democratizar e instrumentalizar os debates sobre as vialações de direitos humanos cometidas em nome do regime civil-militar brasileiro, bem como de despertar a consciência das pessoas no sentido da não repetição destes crimes, o Comitê Carlos de Ré vem a público apresentar e pedir apoio para a criação de um Centro de Memória Viva da Reistência Latino Americana, a ser construído na antiga sede do Dopinha, sito na Rua Santo Antônio, nº 600, em Porto Alegre, pelos motivos que seguem.

      Por primeiro, estamos convictos de que o exercício da memória, através do conhecimento dos fatos históricos que marcaram este período, auxiliam na luta pela superação das violências perpetradas ao longo destes anos e reforçam o compromisso do Estado e da sociedade com os valores democráticos. Compreendemos também que a função social dos espaços de memória ultrapassa a dimensão museológica centrada na ideia de simples coleções e cumpre um importante papel na revelação de processos sociais e, por consequência, na construção da nossa memória coletiva e de nossa cultura política.

      Não é por acaso que o direito à memória e à verdade foi expressamente reconhecido como “Direito Humano da cidadania e dever do Estado” na diretriz nº 23 do Plano Nacional de Direitos Humanos 3. O chamado “PNDH3”, aliás, traz orientação pontual pela disponibilização de “linhas de financiamento para a criação de centros de memória sobre a repressão política ”, ação programática colocada sob responsabilidade da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República; Ministério da Justiça; Ministério da Cultura e Ministério da Educação (diretriz 24, alínea “a”). Dentro do mesmo objetivo estratégico, acentua a importância de “identificar e tornar públicas as estruturas utilizadas para a prática de violações de Direitos Humanos, suas ramificações nos diversos aparelhos de Estado e em outras instâncias da sociedade”.

      Ao escolhermos o Dopinha como sede do nosso memorial estamos indo ao encontro dos objetivos do PNDH3. O Dopinha, que outrora foi um aparelho clandestino da repressão, onde houve, comprovadamente, tortura e morte, é um local de memória por excelência. Além da promovermos a identificação pública permanente do espaço, com o Centro de Memória Viva da Resistência Latino Americana estaremos possibilitando que a memória do período seja geograficamente referenciada e captada pelos sentidos, potencializando, assim, a possibilidade transformadora de qualquer visitação e, para além disso, possibilidando à sociedade civil a ressignificação dos espaços públicos com a ocupação educativa e criativa dos mesmos.

      Porto Alegre é uma capital estratégica no Cone Sul, com intenso intercâmbio cultural com países vizinhos que também viveram períodos de repressão, como é o caso da Argentina, do Chile e do Uruguai. Acreditamos que nossa cidade está mais do que preparada para receber um projeto desta magnitude e com este potencial conscientizador, que vem na linha de dar sustentação aos trabalhos desenvolvidos pela Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, Comissão de Anistia e, mais recentemente, pela Comissão da Verdade, além de auxiliar na construção das bases necessárias para que possamos avançar rumo às demais medidas transicionais necessárias.

      Somente a partir de iniciativas populares socialmente articuladas e referenciadas no resgate da memória para o despertar crítico poderemos atingir a tão almejada justiça e seguir na construção de uma democracia mais sólida e participativa.

Entre em contato com a gente pelo email: comiteverdadepoa@gmail.com

Nos acompanhe no facebook: “Comitê Carlos de Ré”

4 comentários sobre “Dopinha

  1. Existem vários nomes, mas por certo não há uma lista fechada. Qualquer informação pode ajudar. Se você deixar o seu e-mail aqui ou restrito pelo facebook do Comitê Carlos de Ré poderemos entrar em contato (Face: Comitê Carlos de Ré). Abb!

  2. Gostaria de saber se há alguma lista de nomes de supostos torturadores/colaboradores ,Tenho suspeitas em relação a participação de uma pessoa no processo de repressão perpetrado pela ditadura militar.

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