NOTA DO COMITÊ CARLOS DE RÉ SOBRE A VIOLÊNCIA ATUAL DO ESTADO

O Comitê Carlos de Ré vem por meia desta nota demonstrar seu repúdio às inúmeras violações de direitos que tem sido cometidas sistematicamente pelo Estado brasileiro. No recente dia 15 de junho, o Estado do Rio Grande do Sul (Judiciário e Executivo mancomunados) impôs sua máquina repressora promovendo a desocupação do prédio que estava há mais de 10 anos sem cumprir sua função social, e nos últimos 3 anos abrigou a ocupação Lanceiros Negros. É lamentável que o Estado preocupe-se em empreender esta ação, ao invés de procurar soluções para o problema da moradia (como é deu dever), ainda mais durante a noite e véspera de feriado “para não interferir com o trânsito e com o funcionamento da cidade”, jogando na rua famílias inteiras e seus pertences no frio, sem abrigo. Ademais, detém, maltrata e algema o Deputado Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, que tentava mediar uma solução de consenso.

Há algumas semanas, assistimos o massacre de paupérrimos dependentes químicos na Cracolandia da cidade de São Paulo, com a inédita demolição de prédios estando cidadãos em seu interior. Ainda, no Estado do Pará, tivemos o assassinato de 10 trabalhadores rurais pela mão de forças policiais públicas que deveriam proteger os cidadãos. Usadas como milícias privadas a serviço de interesses particulares, tais forças são parte de uma ofensiva de violência consentida, organizada e dirigida contra os movimentos sociais ao largo de todo o país.

Estas graves violações de Direitos Humanos, são como micro-cenarios que dão exemplo de um Estado autoritário que vem se estruturando em velocidade acelerada, prenunciando situações em que a brutalidade policial tende a se constituir em terrorismo estatal. Acostumando a população a brutalidades localizadas, espalha-se a mancha de óleo do terror e amedrontamento nascidos do próprio estado.

Chamamos a todas as cidadãs e cidadãos somarem forças para deter esta ameaça que pesa sobre cada um e todos os brasileiros.

Porto Alegre, 18 de junho de 2017.

Raul Ellwanger e Carlos Augusto Piccinini, Coordenadores.

 

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