NOTA OFICIAL SOLIDÁRIA – SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Nota oficial solidária

 

Na Semana da Consciência Negra de 2015, quando em todo o país celebramos a história da resistência e das conquistas do povo negro, o Comitê Carlos de Ré deseja saudar todas e todos que realizam ações de respeito à diversidade racial e cultural de ancestralidade africana e repudiar toda forma de opressão, discriminação, exploração, humilhação, preconceito e violência contra negras e negros brasileiros.

Sequestrados em suas pátrias de origem, submetidos a tratamento vil por séculos pelos escravocratas, jogados ao desamparo quando finaliza o jugo formal, a estes african@s e seus descendentes  a sociedade brasileira
racista excluiu da cidadania confinando-@s, à pobreza e marginalidade social. Somaram-se assim miséria econômica, preconceito étnico e novas violências da sociedade capitalista, para jogar esta comunidade no mais debilitado e oprimido rincão de nossa nacionalidade.

Fruto de lenta e denodada resistência, fundada em suas profundas culturas, línguas, religiões, saberes e habilidades, ao longo do século XX foi o povo negro emergindo deste ‘’subterrâneo sem liberdade”, realizando conquistas coletivas, pessoais, culturais e sócio econômicas, com vistas a alcançar dignidade, igualdade e os mais amplos direitos. Louvando todas as lutas que ocorreram pelo Brasil, lembramos sempre a épica democrática e republicana dos Lanceiros Negros da República Farroupilha e a defesa dos Direitos Humanos dos Marinheiros que acompanharam o negro João Candido na luta pelo fim da tortura oficial na Marinha Brasileira.

O Estado brasileiro foi o aparelho que exerceu a opressão, combinando a submissão racial com a exploração econômica. A violência organizada pela legislação, realizada na prática e autorizada moralmente, exercida no período da escravidão colonial e republicana, enraizou na cultura brasileira violências físicas e simbólicas que se perpetuam, ora veladas, ora
escancaradas.

Nesta mesma linha do tempo, as ditaduras do Estado Novo e a cívico-militar de 1964 a 1989, constituíram um tecido histórico que estimula, germina e faz parecer natural a violência atual exercida contra a população negra. Nos bairros populares, no sistema carcerário, na abordagem policial, no indiciamento policial, no rigor judicial seletivo, no desemprego, na exclusão espacial, no pré julgamento religioso, continua se manifestando tal violência. A impunidade sistemática dos agentes estatais criminosos é o corolário desta perversa situação.

O Comitê Carlos de Ré se soma à comunidade e às entidades negras em suas lutas para uma vida com dignidade e pleno exercício de seus direitos, repudiando a violência estatal que se abate contra negras e negros e todos os brasileiros, e se compromete a seguir com o bordão que diz: “Basta de violência, ontem e hoje”.

 

Porto Alegre, 20 de novembro de 2015.

Os Coordenadores

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