Reunião em Porto Alegre com o Ministro Dipp, Coordenador da CNV

No dia 17/07, antes mesmo da primeira reunião oficial da Comissão Nacional da Verdade (CNV) com as organização da sociedade civil, o Comitê Carlos de Ré, juntamente com o Comitê de Santa Maria e de Pelotas e Região, esteve reunido com o Ministro Gilson Dipp aqui em Porto Alegre.

Nossa reunião teve dois grandes momentos: no primeiro, nossa ilustre militante Suzana Lisboa, responsável pela articulação da agenda, falou pela perspectiva dos familiares de mortos e desaparecidos, expressando preocupações com as quais todos/as comungamos; no segundo momento, os Comitês falaram sobre sobre os limites e possibilidades de uma atuação conjunta com a CNV.

Das principais preocupações colocadas, algumas se sobressaem pela polêmica que geram. Já de início, Suzana Lisboa advertiu que não aceitaremos que a CNV seja pautada pela mídia ou atue somente mediante requerimento investigativo formal, hipóteses desde logo afastadas pelo Ministro.

Na continuidade, discutimos a necessidade de um processo transparente e amplamente documentado. Por fim, após algumas conversas sobre as peculiaridades do RS, especialmente com relação à Operação Condor e ao Movimento da Legalidade, falamos sobre o papel da CNV diante dos trabalhos até aqui realizados pelo Grupo de Trabalho Araguaia (GTA).

E o que disse o Ministro Gilson Dipp?

O Ministro iniciou sua fala se comprometendo com a total independência da CNV com relação a governos e à mídia. “É uma comissão de Estado. Não de governo”, arrematou ele. Reconheceu as fragilidades do projeto que geram dificuldades no desempenho satisfatório do trabalho, como o curto prazo de duração da comissão (dois anos) em descompasso com o largo lapso investigativo (de 1946 e 1988). Por isso reforçou o apelo para que tenhamos uma atuação conjunta e colaborativa entre CNV, Comissões Estaduais da Verdade e Comitês Populares da Memória, Verdade e Justiça.

Merece destaque o fato de que o Ministro Dipp não conseguiu disfarçar a surpresa com a quantidade e contundência de nossas cobranças e preocupações. Contudo, afirmou compartilhar das nossas angústias. Disse que a verdade “só chega à cabeça do povo pela transparência”, sem o que a CNV não teria serventia, e que “as buscas [GTA], como estão, não levarão a nada”.

Com base nisso, se comprometeu a levar à CNV nossas sugestões referentes à oitiva de testemunhas, garantindo, no mínimo, acesso aos conteúdos coletados antes da elaboração de um relatório final do depoimento, dando margem a complementações. Também afirmou que a busca dos corpos é uma das funções da CNV e que estarão em contato com a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos para tratar não apenas dos trabalhos do GTA, mas do conjunto dos trabalhos a serem realizados.

Por fim, o Ministro Gilson Dipp recebeu o documento do Comitê Carlos de Ré fundamentando a necessidade, cabimento e urgência da construção de um centro de memória viva da resistência latino-americana no prédio onde outrora funcionou o Dopinha (Rua Santo Antônio, nº 600, em Porto Alegre). Além de elogiar o ato, sobre o qual já havia tomado conhecimento através da mídia e de uma reunião em Braília com o então coordenador do Comitê Carlos de Ré, Pedro Ruas, também manifestou integral apoio à iniciativa de ressignificação do espaço.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s