Dopinha: o futuro memorial da resistência latino-americana

 

Foto: Ramiro Furquim

     No dia 10 de maio, às 17h, o Comitê Carlos de Ré fez seu primeiro grande ato de identificação pública de espaços que foram palco de tortura e resistência em Porto Alegre durante a ditadura civil-militar. O local escolhido foi a antiga sede do Dopinha, na Rua Santo Antônio, nº 600, que funcionou como estrutura clandestina dos aparelhos de repressão, uma espécie de “filial” dos órgãos investigativos.

     O Dopinha foi palco de intensas torturas e diversas violações de Direitos Humanos. Foi lá que o sargento Manoel Raymundo Soares, proeminente opositor do Golpe de 64, foi torturado por longos meses antes de ter seu corpo encontrado no Rio Jacuí, episódio que ficou conhecido como o “Caso das Mãos Amarradas”.

    Após a adesivagem de identificação, os diferentes representantes de ong’s, partidos políticos, movimentos sociais e diferentes setores da sociedade civil que estavam presentes fizeram suas falas. O Levante Popular da Juventude apresentou uma esquete teatral remontando práticas de violência que eram comuns na época e, infelizmente, ainda fazem parte da nossa realidade. Por fim, houve a leitura dos nomes dos gaúchos e gaúchas mortos ou desaparecidos pelo regime.

     O ato teve uma ótima repercussão. A prefeitura de Porto Alegre se comprometeu com a identificação de todos os espaços onde houve tortura na cidade, embora não tenha fixado um prazo para a realização deste trabalho (que ainda não começou). Então o Comitê resolveu ousar e dar continuidade à luta: O OBJETIVO AGORA É TRANSFORMAR O DOPINHA EM UM CENTRO VIVO DE MEMÓRIA DA RESISTÊNCIA LATINO-AMERICANA.

REUNIÕES COM A PREFEITURA E COM O GOVERNO DO ESTADO

     Como este objetivo, no dia 26 de junho de 2012 o Comitê Carlos de Ré se reuniu, num primeiro momento, com o prefeito de Porto Alegre , José Fortunati, e, logo após, com o governador Tarso Genro. A ideia de transformar o Dopinha em um centro de memória viva foi bem recebido pelo prefeito e pelo governador, que assinalaram para a possibilidade de viabilizar o projeto através de uma ação conjunta entre a Prefeitura, o governo do Estado e a sociedade civil.

    A escolha do Dopinha como sede deste memorial se justifica pela localização estratégica de Porto Alegre no Cone Sul, mas também – e principalmente!- por se tratar de um lugar de memória por excelência. Além da identificação pública permanente do espaço, com a construção do memorial estaremos possibilitando que a memória do período seja geograficamente referenciada e captada pelos sentidos, potencializando a possibilidade transformadora de qualquer visitação e, para além disso, possibilidando à sociedade civil a ressignificação dos espaços públicos.

   Após esta reunião a proposta foi ainda apresentada para a Ministra Maria do Rosário, para a Ministra Ana de Hollanda e para o Ministro Gilson Dipp, sendo a iniciativa igualmente elogiada e bem recebida por todos/as.

   Ar articulações e mobilizações seguem fortes e ainda este mês traremos mais novidades.

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